domingo, 17 de março de 2013

Meu livro diz

Meu livro diz

Estava a pensar em como eu poderia expôr meu modo de pensar para que ficasse clara a minha posição. Então, decidi fazer o seguinte:

Sou uma pessoa fiel a Deus. Acredito e sei que Ele é a fonte de todo o amor, de todas as coisas boas do mundo! Ele nos perdoa, não importa o que façamos, desde que O aceitemos em nossos corações.

A minha crença em Deus é baseada em um livro sagrado. Esse livro descreve feitos enormes Dele e nos ensina o quanto Ele nos ama. O livro também descreve tudo aquilo que pode ser considerado pecado aos olhos Dele. Práticas, comuns ou não, que não são bem vindas em Seu reino.

O meu livro sagrado afirma, em páginas mais recentes, que as diferenças sociais existem por que as próprias pessoas querem que elas existam. Meu livro afirma que os miseráveis (pessoas que vivem abaixo de qualquer padrão, na extrema pobreza, não possuem nenhuma assistência, passam fome e moram em locais impróprios) escolhem ser assim. Mas meu livro afirma, também, que Deus não gosta quando as pessoas decidem ser miseráveis. A prática de "ser miserável" é condenada pela Palavra do meu Senhor!

Mas Deus é grande! Ele ama a todos, sem exceção! Meu livro sagrado diz que os miseráveis escolhem ser assim, são pecadores por terem escolhido deixar a riqueza, os luxos, a vida digna de lado, mas Deus perdoa todos os pecados e todos os pecadores. Deus perdoa os miseráveis e quaisquer outros pecadores!

Meu livro diz ser um de nossos deveres, para com Deus, espalhar a Sua Palavra por cada canto do mundo. As pessoas, independente de suas origens e crenças, devem saber que Ele existe e que Ele é bom! Bom, não! Mas o único capaz de oferecer a salvação!

Baseado nesse meu dever, construí um templo destinado à disseminação de Sua Palavra! Todos os fiéis que passam por meu templo se tornam mais cientes da Palavra.
Além do meu templo, criei projetos para que o ensino da Palavra seja feito em escolas. As crianças e adolescentes precisam da Palavra em sua formação como cidadãos, como ovelhas do nosso grande Senhor!

Com os projetos, ensino nas escolas toda a Palavra. Ensino às crianças que Deus é amor! Ele perdoa e ama todos aqueles que O aceitam em seus corações! Ensino também que algumas práticas são condenadas por Deus... Ele não gosta, por exemplo, que as pessoas escolham ser miseráveis, uma vez que Sua Palavra afirma que as classes sociais são uma escolha. 

"Minhas crianças, meus jovens! Deus não gosta de pessoas que vivem na incerteza, sem comida, água potável, sem lugar para morar, sem assistências. Essas pessoas pecam! E pecam por que querem pecar! Elas vão contra à vontade de Deus por que querem!"

Anos mais tarde, alguns desses jovens se tornaram ferrenhos defensores de Deus e de Sua Palavra! Meu livro sagrado diz que não se faz justiça com as próprias mãos, apenas Deus pode julgar. Mas ele também diz que aqueles que não defendem o reino do Senhor e a Sua Palavra, são tão pecadores quanto os mais pecadores.

Ora, esses jovens ferrenhos defensores quiseram fazer valer a última afirmação. Saíram às ruas e agrediram os pecadores, pessoas que escolheram ser miseráveis e, portanto, levar desonra ao reino de Deus, atearam fogo neles, deram tiros, golpes com facas, canos... Tudo em nome do Senhor!

Alguns outros, menos radicais, optaram por apenas proferir A Palavra. Dizem que se Deus ama a todos, devem amar também, ainda que sejam pessoas que escolheram pecar, que escolheram cometer crimes contra a vontade do Pai. Ao mesmo tempo, claro, espalham pelas escolas e templos que Deus não gosta dos pecadores, principalmente daqueles que escolheram pecar (como os miseráveis), afinal, é o que diz Sua Palavra! Proferir a Palavra do Senhor é um dever!

...

Sim, eu defendo que a prática de ser miserável é condenada. Respeito todos os pobres, todos aqueles que não possuem um centavo sequer para suprir suas necessidades básicas, vitais. Mas eles escolheram essa vida de pecado. Escolheram essa vida criminosa.

Chamo-os de criminosos, sim, pois tenho um dever para com meu Deus, mas apensar de denegri-los, eles têm todo o meu respeito!

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